NR-1 e Riscos Psicossociais em 2026: o que sua empresa precisa fazer agora para não ficar irregular
- swgestaoocupacional
- 19 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de abr.

Entenda o que mudou na NR-1, como incluir riscos psicossociais no PGR e o que sua empresa deve fazer para evitar não conformidades.
A partir de 26 de maio de 2026, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passam a integrar de forma expressa o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), dentro da NR-1. Em outras palavras: o tema saiu do campo do “bem-estar” e entrou definitivamente no campo da obrigação técnica, documental e preventiva.
Isso significa que empresas precisarão identificar, avaliar, registrar e controlar fatores como:
excesso de cobrança;
sobrecarga de trabalho;
jornadas exaustivas;
metas abusivas;
conflitos interpessoais;
liderança tóxica;
assédio moral e organizacional;
falta de autonomia;
insegurança psicológica no ambiente laboral.
O que muda na prática com a NR-1
A principal mudança é que os riscos psicossociais devem entrar no mesmo raciocínio técnico já utilizado para outros riscos ocupacionais.
Ou seja, a empresa deverá:
1. Identificar os fatores de risco
É preciso mapear como o trabalho é organizado e quais condições podem gerar sofrimento, adoecimento ou desgaste emocional.
2. Registrar no inventário de riscos
Os fatores psicossociais devem constar no inventário de riscos ocupacionais, com análise coerente e rastreável.
3. Definir plano de ação
Não basta “saber que existe o problema”. A empresa deve estabelecer medidas de prevenção, controle e monitoramento.
4. Integrar SST, RH e liderança
Essa adequação não pode ficar isolada só no SESMT ou na consultoria de SST. Ela exige participação real de:
RH;
lideranças;
jurídico;
alta gestão;
medicina do trabalho.
Quais riscos psicossociais mais aparecem nas empresas
Os riscos mais comuns hoje costumam estar ligados à organização do trabalho, e não apenas ao perfil individual do trabalhador.
Exemplos frequentes:
equipes reduzidas para alta demanda;
pressão constante por produtividade;
comunicação agressiva ou desorganizada;
acúmulo de função;
falta de clareza de papéis;
ausência de suporte da liderança;
conflitos recorrentes entre equipes;
exposição a violência verbal, humilhação ou constrangimento.
Como a empresa deve começar a adequação
A forma mais segura de iniciar é seguir um processo técnico, não improvisado.
Passo a passo recomendado
1. Fazer diagnóstico inicial
Levantar indicadores como:
afastamentos CID F;
turnover;
absenteísmo;
queixas recorrentes;
conflitos internos;
denúncias;
setores mais críticos.
2. Aplicar avaliação de riscos psicossociais
Essa avaliação precisa ser estruturada, documentável e defensável tecnicamente.
3. Cruzar dados com o PGR
Os achados não devem ficar “soltos” em relatório paralelo. Eles precisam conversar com o GRO/PGR.
4. Elaborar plano de ação
Com medidas como:
revisão de carga de trabalho;
melhoria de processos;
capacitação de lideranças;
fluxos de acolhimento e encaminhamento;
política de prevenção a assédio;
monitoramento periódico.
5. Treinar gestores
Porque, em boa parte dos casos, o risco psicossocial nasce ou se agrava na forma como a liderança gerencia pessoas.
Quais empresas precisam se preocupar com isso
A resposta curta é: praticamente todas.
Não é um tema exclusivo de grandes indústrias. Hoje, os maiores gargalos aparecem justamente em empresas como:
clínicas e hospitais;
escritórios;
comércio e varejo;
call center;
transportes;
logística;
construção civil;
empresas com metas agressivas ou alta rotatividade.
O que acontece com quem não se adequar
A empresa se expõe a uma combinação perigosa de riscos:
passivo trabalhista;
fragilidade em fiscalizações;
aumento de afastamentos;
queda de produtividade;
piora no clima organizacional;
dificuldade de retenção de talentos;
enfraquecimento da defesa técnica em casos de adoecimento mental relacionado ao trabalho.
Conclusão
A nova fase da NR-1 exige que a empresa deixe de tratar saúde mental como discurso e passe a tratá-la como gestão de risco ocupacional.
Quem se adiantar agora terá mais segurança técnica, jurídica e organizacional. Quem deixar para depois tende a correr atrás do prejuízo — e normalmente isso sai mais caro.
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